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 A Bula do Viagra

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MensagemAssunto: A Bula do Viagra   Dezembro 4th 2010, 12:59 am

— Vai, Horácio. Toma logo!

— Eu não tomo nada sem antes ler a bula. Cadê meus óculos?

— Pendurados no seu pescoço.

— Isso é ridículo, Maria Helena. Ridículo.

— Então todos os homens da sua idade são ridículos. Porque todos estão tomando. E não me puxa esse lençol, fazendo o favor. Olha aí o bololô que você me faz nas cobertas.

— A humanidade conseguiu crescer e se multiplicar durante milênios sem isso. Nós dois crescemos e nos multiplicamos sem isso. Taí o Pedro Paulo, taí o Zé Augusto que não me deixam mentir. Fora aquele aborto que você fez.

— Horácio, eu não vou discutir isso com você agora. Toma logo esse negócio.

— Isso aqui faz mal pro coração, sabia? Um monte de gente já morreu tentando dar uma trepadinha farmacêutica.

— Foi por uma boa causa. E não faz mal coisa nenhuma. Só pra quem é cardíaco e toma remédio. Você não é cardíaco. Nem coração você tem mais.

— Não começa, Maria Helena, não começa.

— Pode ficar sossegado que você não vai morrer do coração por causa dessa pilulinha. Eu vi num programa do GNT um velhinho de 92 anos que toma isso todo dia.

— Sério?

— Preciso de sexo, Horácio.

— Mas hoje é segunda, Maria Helena...

— Quero trepar. Foder. Ser comida por um macho de pau duro.

— Francamente, Maria Helena, que boca. Parece que saiu da zona.

— Quero ser penetrada, quero gozar.

— O sexo é uma ditadura, Maria Helena. A gente tá na idade de se livrar dela.

— Saudades da dita dura. Olha só, você me fez fazer um trocadilho de *****.

— Além do mais, Maria Helena, nós já tivemos um número mais do que suficiente de relações sexuais na vida, por qualquer padrão de referência, nacional ou estrangeiro. A quantidade de esperma que eu já gastei nesses anos todos com você dava pra encher a piscina aqui do prédio.

— Com o esperma que você ordenhou manualmente, talvez. O que o senhor gastou comigo não daria nem pra encher o bidê aqui de casa. Um penico, talvez. Até a metade.

— Maria Helenaaaa...

— E faz quase um ano que não pinga uma gota lá dentro!

— Sossega o facho, mulher. Vai fazer ioga, tai chi chuan. Já ouviu falar em feng shui, bonsai, shiatsu? Arranja um cachorro. Quer um cachorro? Um salsichinha?

— Quero um salsichão, Horácio. Olha aí: outra piadinha infame.

— É porque você está com ideia fixa nessa porcaria.

— Que porcaria?

— O sexo, Maria Helena, o sexo.

— Sabe o que mais que deu naquele programa sobre sexo, Horácio?

— Não estou interessado.

— Deu que as mulheres com vida sexual ativa têm muito menos chance de ter câncer. É científico.

— Come brócolis que é a mesma coisa, Maria Helena. Protege contra tudo que é câncer. Também é científico, sabia? E puxado no azeite, com alho, fica uma delícia.

— A que ponto chegamos, Horácio. Eu falando de sexo e você me vem com brócolis puxado no azeite!

— Com alho.

— Faça-me o favor, Horácio!

— Maria Helena, escuta aqui, você já tem 50 anos, minha filha, dois filhos adultos, já tirou um ovário, já...

— Não fiz 50 ainda. Não vem não. E o que é que filho e ovário têm a ver com sexo?

— Maria Helena, me escuta. Depois de uma certa idade as mulheres não precisam mais de sexo.

— Ah, não? Quem decidiu isso?

— Sexo nessa idade é pras imaturas. Pras deslumbradas, pras iludidas que não sabem envelhecer com dignidade.

— Prefiro envelhecer com orgasmos.

— O que é que o Freud não diria de você, Maria Helena.

— E de você, então, Horácio? No mínimo, que você virou gay depois de velho. Boiola.

— Maria Helena! Faça-me o favor. Eu tenho que ouvir isso na minha própria casa, na minha própria cama, diante
da minha própria televisão?

— Aliás, gay gosta de trepar. É o que eles mais gostam de fazer. Você virou outra coisa, sei lá o quê. Um pinguim de geladeira, talvez.

— Maria Helena, dá um tempo, tá? Tenho mais o que fazer.

— Fazer? Essa é boa. O que é que um funcionário público aposentado com salário integral tem pra fazer na vida, posso saber?

— Sem comentários, Maria Helena, sem comentários.

— Tá bom, sem comentários. Bota os óculos e lê duma vez essa bendita bula.

— Só que precisa de dois óculos pra ler isso. Olha só o tamanhico da letra. Se é um negócio pra velho, deviam botar uma letra bem grande. Pelo menos isso. Vira o foco do abajur para cá... assim... melhorou? Abaixa essa televisão também. Não consigo me concentrar ouvindo novela. Mais. Mais um pouco.

— Pronto, patrãozinho. Sem som. Vai, lê duma vez.

— O princípio ativo do medicamento é o citrato de sildenafil.

— Sei.

— Veículos excipientes: celulose microcristalina...

— Celulose vem da madeira. Pau, portanto. Bom sinal.

— Onde foi parar a sua pouca educação, Maria Helena?

— Vai lendo, Horácio. Depois conversamos sobre a minha pouca educação.

— Cros... camelose sádica. Croscamelose. Castrepa, Maria Helena. Recuso-me a tomar um troço com esse nome. Deve ser alguma secreção de camelo. Se não for coisa pior.

— Não é camelose. Num tá vendo aí? É caRmelose. Deve ser algum adoçante artificial. Pro seu pau ficar doce, meu bem.

— Putz. Só rindo mesmo. A menopausa acabou com a sua lucidez, Maria Helena.

— Troco toda a lucidez do mundo por um pau tinindo de tesão por mim.

— Absurdo, absurdo.

— Que mais, que mais, Horácio?

— Dióxido de titânio.

— Ah, titânio. Pro negócio ficar bem duro.

— índigo carmim...

— índigo? Deve ser o que dá o azul da pilulinha.

— Será que esse negócio não vai deixar o meu pau azul, Maria Helena?

— E daí, se deixar? Você não sai por aí exibindo o seu pênis, que eu saiba. Ou sai?

— Mas, e se eu for a um mictório público? o que é que o cara ao lado não vai pensar do meu pinto azul?

— Diz que você é um alienígena, ora bolas. Que o seu corpo está pouco a pouco se adaptando à Terra, que ainda faltam alguns detalhes. Ou explica que você é um nobre, de sangue e pinto azul. Ou não diz nada, ora bolas. Acaba de mijar, guarda o pinto azul e vai embora, pô.

— Escuta. Agora vem a parte que explica como esse petardo funciona.

— Isso. Quero ver esse petardo funcionando direitinho.

— Presta atenção. "O óxido nítrico, responsável pela ereção do pênis, ativa a enzima guanilato ciclase, que, por sua vez, induz um aumento dos níveis de monofosfato de guanosina cíclico, produzindo um relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos do pênis e permitindo assim o influxo de sangue:' Cacete. Corpos cavernosos. Já pensou, Maria Helena? Corpos cavernosos sendo inundados de sangue? Puro Zé do Caixão.

— Corpo cavernoso só pode ser herança do homem das cavernas. Vocês homens evoluem muito lentamente.

— Para de viajar, Maria Helena. Parece que fumou maconha.

— Não era má ideia. Pra relaxar. Vou roubar do Pedro Paulo. Eu sei onde ele esconde. Podíamos fumar juntos.

— Eu já tô relaxado. Tô até com sono, pra falar a verdade.

— Lê, lê, lê, lê aí. ....Você já dormiu tudo a que tinha direito nessa vida.

— Vou ler. "Todavia, o sildenafil não exerce um efeito relaxante diretamente sobre os corpos cavernosos..."

— Não?

— Não, Maria Helena. Ele apenas "aumenta o efeito relaxante do óxido nítrico através da inibição da fosfodiesterase-5, a qual" — veja bem, Maria Helena, veja bem — "a qual é a responsável, pela degradação do monofosfato de guanosina cíclico no corpo cavernoso?". Ouviu isso? Degradação, Maria Helena, dentro dos meus próprios corpos cavernosos. Degradante..

— Degradante é pau mole.

— Olha o nível, Maria Helena, olha o nível. Vamos ver os efeitos colaterais. Olha lá: dor de cabeça. Você sabe muito bem que se tem uma coisa que eu não suporto na vida é dor de cabeça.

— Na cultura judaico-cristã é assim mesmo, Horácio. Pra cabeça de baixo gozar, a de cima tem que padecer.

— Não me venha com essa sua erudição de internet, Maria Helena. Estamos off-line.

— Deixa de ser criança, Horácio. Se der dor de cabeça você toma um Tylenol, reza uma ave-maria, canta o "Hava Naguila"; que passa.

— Outro efeito colateral: rubor. Rá, rá. Vou ficar com cara de quê, Maria Helena? De camarão no espeto?

— Se for camarão com espeto, tá ótimo. Que mais, que mais?

— Enjoos. Ó céus. Enjoos...

— Você sempre foi um tipo enjoado, Horácio. Ninguém vai notar a diferença.

— Vamos ver o que mais... hum... dispepsia. Que lindo. Vou trepar arrotando na sua cara.

— Você me come por trás. Arrota na minha nuca.

— É brincadeira... É essa a sua ideia de amor, Maria Helena?

— Isso não tem nada a ver com amor, Horácio. Já disse: é profilaxia contra o câncer. E arrotar, você já arrota mesmo o dia inteiro, sem a menor cerimônia, na mesa, na sala, em qualquer lugar.

— Como se você não arrotasse, Maria Helena.

— Mas não fico trombeteando os meus arrotos. Isso é coisa de machão broxa. Em vez de trepar com a esposa, fica arrotando alto pra se sentir o cara do pedaço.

— Como você é simplória, Maria Helena, como você é... menor. Desculpe, mas acho que o seu cérebro anda encolhendo, sabia? Ou mofando. Ou as duas coisas

— Vai, Horácio, chega de conversa mole. E de pau idem. Pula os efeitos colaterais.

— Como, "pula os efeitos colaterais"? É porque não é você quem vai tomar essa meleca, né? Vou ler até o fim. Os efeitos colaterais são a parte mais importante. Olha lá: gases. Que é que tá rindo aí?

— Do efeito cu-lateral. Desculpa. Esse foi de propósito. Não aguentei.

— Admiro seu humor refinado, Maria Helena. Torna você uma mulher tão mais sedutora, sabia?

— Obrigada, Horácio.'Agora, quanto aos seus gases, pode relaxar o esfíncter, meu filho. Numa boa. Tô tão acostumada que até sinto falta quando estou sozinha. Sério. Fico pensando: Ah, se o Horácio estivesse aqui agora pra soltar uma bufa de feijoada com cerveja na minha cara...

— Maria Helena, qualquer dia você vai ganhar o Oscar da vulgaridade universal.

— Vou dedicar a você.

— Vamos ver que mais temos aqui em matéria de efeitos colaterais. Ah! Congestão nasal. Que gracinha. Vou ficar fanho, que nem o Donald. Qüém qüém qüém.

— Um pateta com voz de pato. Perfeito.

— Ridículo. Absurdo. Idiota.

— Ridículo você já é, Horácio. E quem não é? Além do mais, é só calar a boca que você não fica fanho.

— Ah, tá. E se eu quiser falar alguma coisa na hora?

— Você não diz nada de interessante há mais de dez anos, Horácio. Vai dizer justo na hora de trepar?

— Eu não nasci para dizer coisas interessantes a você, Maria Helena.

— Já percebi.

— Hum. Ouve só: diarreia!

— Quê?

— É outro efeito colateral dessa bomba aqui. Fala sério, Maria Helena. Isto aqui é um veneno. Não sei como eles vendem sem receita.

— Deixa de ser pueril, Horácio. Magina se alguém vai ter todos os efeitos colaterais ao mesmo tempo. No máximo um ou dois.

— A caganeira e os arrotos, por exemplo? Ou a ânsia de vômito e os gases?

— Faz um cocozinho o antes. Pra esvaziar. agora, Horácio. Eu espero.

— Eu não estou com vontade de fazer cocozinho nenhum, Maria Helena. Faça-me o favor. E olha aqui, mais um efeito colateral: visão turva.

— Você bota os seus óculos de leitura. E que tanto você quer ver que já não viu?

— Maria Helena, você não entendeu? Essa droga perturba seriamente a visão. Vou ficar cego por sei lá quantas horas, quantos dias. E tudo por causa de uma reles trepadinha? E se a minha visão não voltar? Vou andar de bengala branca pro resto da vida?

— Pode deixar que eu guio a sua bengala, Horácio. Olha, pensa no lado bom da cegueira: você vai poder me imaginar 20 anos mais moça. Trinta, se quiser.

— Maria Helena, desisto. Não vou tomar essa porcaria e tá acabado.

— Dá aqui essa cartela, Horácio. Abre a boca. Pronto. Engole. Olha a água aqui. Isso. Que foi? Engasgou, amor?! Tosse pra lá, ô! Me borrifou toda! Que nojo! Quer . que bata nas suas costas? Ai, meu Deus! Horácio? Você está bem? Respira fundo! Isso, isso... E aí, amor? Melhorou? Morrer afogado num copo d'água ia ser idiota demais, até prum cara como você.

— Arrr! E com essa pílula monstruosa entalada na garganta, ainda por cima! Ufff! Me dá mais água.

— Quanto tempo isso aí demora pra bater?

— Isso aí o quê?

— A pílula, Horácio, a pílula.

— E eu sei lá?

— Vê na bula, Horácio.

— Hum... tá aqui: 30 minutos.

— Ótimo. Dá tempo de ver o fim da minha novela.

Eu ri demais IOEAUHEOIUAHEAIUEHAUOEIA'

Forte abraço.
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DiAbLo
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MensagemAssunto: Re: A Bula do Viagra   Dezembro 4th 2010, 11:09 am

Essa não tive coragem de ler... hahah
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ScoobYs
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MensagemAssunto: Re: A Bula do Viagra   Dezembro 4th 2010, 4:08 pm

pdoakspodaskdas muito bom,pookin comprida mas eh fera
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.KiLlEr G2
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MensagemAssunto: Re: A Bula do Viagra   Dezembro 4th 2010, 9:29 pm

Nossa leio é ***** hoaieuhaioeuhaeih
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DeSTrOyEr
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MensagemAssunto: Re: A Bula do Viagra   Dezembro 5th 2010, 12:00 am

risada dahora kkkkkkkkkkkk

Será que esse negócio não vai deixar o meu pau azul, Maria Helena?

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ri paka's nessa parte kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
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Wolf
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MensagemAssunto: Re: A Bula do Viagra   Dezembro 8th 2010, 11:51 am

NAO LI NEM 5 LINHAS :(
MAIS MESMO ASSIM BOA HSAUSHAUSHAUS
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Wayd
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Humor : Sarcástico

MensagemAssunto: Re: A Bula do Viagra   Dezembro 8th 2010, 4:15 pm

Pinguim de geladeira é sacanagem. kk
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MensagemAssunto: Re: A Bula do Viagra   

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A Bula do Viagra
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